Swiss Made: O incrível padrão de qualidade Suíço e o Trabalho:
Eu sou formada em Letras, Português e Inglês, no Brasil, mas trabalhei nas mais diversas áreas, sempre entrando na empresa e crescendo dentro das próprias organizações. Em meu último trabalho registrado no Brasil comecei como recepcionista bilíngue e fui promovida a assistente de diretoria em uma multinacional italiana. Sempre associei o tempo ao dinheiro, então se tinha tempo disponível procurava fazer horas extras, serviços esporádicos, etc.
Na vinda do Brasil para a Suíça eu estava preparada para fazer a mesma linha crescente. Imaginava que "tudo bem" se não encontrasse um trabalho no padrão do que eu tinha no Brasil, porque eu poderia começar em um trabalho e ir galgando os degraus até ser promovida, como sempre havia feito. É sobre isso que eu quero falar, especialmente aos meus colegas brasileiros que ainda estão estudando e / ou têm o sonho de morar no exterior.
O que eu aprendi (e estou aprendendo a cada dia) é sobre a importância de dar, na medida do possível, um reset nas nossas configurações, ideias pré-formadas, construída a partir de uma realidade social e cultural diferente. Eu faria uma analogia com o aprendizado da língua alemã para um falante nativo de língua portuguesa: uma estrutura completamente diferente na qual, para se falar a língua alemã, deve-se compreender como esta funciona em sua estrutura e aprender a pensar a partir desse novo padrão.
Pois bem, aqui na Suíça há um orgulho muito grande em tudo que é Swiss Made. Os produtos estampam isso, até porque as leis de produção aqui costumam ser rigorosas e não compactuam, por exemplo, com a exploração animal para o lucro ser maior. É como um selo de confiança;
Há muito tempo já que eu vejo as vagas de trabalho aqui, me tornei expert em alemão e francês, além do italiano, quando no gênero Vagas de Trabalho. Eu já encontrei de tudo, desde lavador de pratos até assistente pessoal. O ponto é que mesmo vagas de lavadores de prato exigem experiência em lavar pratos. O suíço valoriza muito a indicação, a experiência e parece haver uma tradição aqui de você se tornar especialista em algo, eu diria que essa é uma das características principais do povo suíço. Eles são perfeccionistas, exigentes e muito críticos. Veja bem, isso não é algo negativo (tanto é que o padrão Swiss Made é super bem visto no mundo), mas é algo que os diferencia de nós brasileiros.
Considero que o povo brasileiro é mais flexível, atencioso, gentil e próximo. Ilustro essa situação com algo que aconteceu com o meu esposo aqui: ele foi na Die Post (o correio e lotérica daqui) fazer um depósito. Ele ainda está aprendendo a língua alemã (é nível B1 intro) e não lembrava com exatidão qual a palavra para saque e qual a palavra para depósito, acabou confundindo as duas. Ele sorriu, fez gestos e perguntou para a atendente a diferença através de gestos. A moça, analiso eu, pode ter se sentido ofendida com a pergunta e o fato é que ela ficou nervosa e foi até ríspida porque ele deveria saber o que ele queria, se era sacar ou depositar e não pedir para ela ensinar. Ela é a atendente que faz depósitos e não professora de língua alemã.
Quando a gente chegou aqui isso nos chateava bastante, mas posso dizer hoje que aprendi muito e hoje entendo o porque isso acontece. O suíço é extremamente profissional e para o que ele é contratado a fazer ele faz e com perfeição. Mas cada um deve fazer o trabalho que lhe cabe, é um tipo de lógica (assim como o funcionamento de uma língua) que é particular e não pode ser julgado, sob risco de incorrer em erros. É óbvio que existem diferentes tipos de personalidades e que tem suíços mais gentis que esse exemplo. Mas a minha intenção ao escrever esse blog era a de passar aos leitores as coisas que eu gostaria de ter lido antes de vir para cá, sem filtros.
Sobre o trabalho, para quem está buscando, digo que ter contatos é tudo aqui. Contatos, carta de indicação e experiência na área em que se deseja trabalhar. Ter cursos é super importante, mas ATENÇÃO: eles levam muito em consideração as notas que você tirou no seu curso, na sua faculdade, pós-graduação, etc. Eles, ao contratar você, esperam que você saiba fazer o seu trabalho e que não será necessário lhe ensinar nada. O positivo é que ninguém cuidará da sua vida, investigará o que você faz ou deixa de fazer, ou forçará amizade. Cada um fica na sua mesmo. A parte que pode conter aspectos negativos é que justamente porque ninguém vai querer saber de você, eles também não oferecerão ajuda, do tipo que a gente vê no Brasil "olha se você precisar de algo, qualquer coisa mesmo, conte comigo"...
No Brasil eu nunca tive de mostrar minhas notas para conseguir um trabalho, inclusive vejo muitos jovens (o que obviamente não são todos) que vem para a Europa fazer Ciências sem Fronteiras e acabam se matriculando em poucas matérias para ter a oportunidade de viajar e aproveitar mais. Se posso dar uma dica àqueles jovens que pretendem trabalhar AQUI na europa é essa: foque e dedique-se muito aos estudos e tenha boas avaliações. Faça contato com os professores, se inscreva em projetos porque aqui isso é muito visto. As melhores vagas ficam para quem tem as melhores notas e contatos. Esse inclusive é um ponto que eu admiro nos suíços, a dedicação aos estudos.
Então quem quer vir para cá, gente, estude, procure ir se adaptando ainda no Brasil. Se eu tivesse lido esse meu post anos atrás eu teria traçado outros planos para vir para cá.
É bom saber que eu tenho muito a aprender com essa cultura, assim como tenho pontos que poderei ensinar e fico feliz por isso. Se eu posso dizer algo para resumir esse tempo que eu estou aqui e o maior aprendizado seria, com certeza, o "não se deixar afetar". Isso que é o legal, abrir a cabeça e ver que existem outras formas de pensar, outras oportunidades, outras perspectivas, outras formas de levar a vida.
No próximo post falarei mais sobre o Trabalho aqui.
Imagem de Luzern, à noite:
Há muito tempo já que eu vejo as vagas de trabalho aqui, me tornei expert em alemão e francês, além do italiano, quando no gênero Vagas de Trabalho. Eu já encontrei de tudo, desde lavador de pratos até assistente pessoal. O ponto é que mesmo vagas de lavadores de prato exigem experiência em lavar pratos. O suíço valoriza muito a indicação, a experiência e parece haver uma tradição aqui de você se tornar especialista em algo, eu diria que essa é uma das características principais do povo suíço. Eles são perfeccionistas, exigentes e muito críticos. Veja bem, isso não é algo negativo (tanto é que o padrão Swiss Made é super bem visto no mundo), mas é algo que os diferencia de nós brasileiros.
Considero que o povo brasileiro é mais flexível, atencioso, gentil e próximo. Ilustro essa situação com algo que aconteceu com o meu esposo aqui: ele foi na Die Post (o correio e lotérica daqui) fazer um depósito. Ele ainda está aprendendo a língua alemã (é nível B1 intro) e não lembrava com exatidão qual a palavra para saque e qual a palavra para depósito, acabou confundindo as duas. Ele sorriu, fez gestos e perguntou para a atendente a diferença através de gestos. A moça, analiso eu, pode ter se sentido ofendida com a pergunta e o fato é que ela ficou nervosa e foi até ríspida porque ele deveria saber o que ele queria, se era sacar ou depositar e não pedir para ela ensinar. Ela é a atendente que faz depósitos e não professora de língua alemã.
Quando a gente chegou aqui isso nos chateava bastante, mas posso dizer hoje que aprendi muito e hoje entendo o porque isso acontece. O suíço é extremamente profissional e para o que ele é contratado a fazer ele faz e com perfeição. Mas cada um deve fazer o trabalho que lhe cabe, é um tipo de lógica (assim como o funcionamento de uma língua) que é particular e não pode ser julgado, sob risco de incorrer em erros. É óbvio que existem diferentes tipos de personalidades e que tem suíços mais gentis que esse exemplo. Mas a minha intenção ao escrever esse blog era a de passar aos leitores as coisas que eu gostaria de ter lido antes de vir para cá, sem filtros.
Sobre o trabalho, para quem está buscando, digo que ter contatos é tudo aqui. Contatos, carta de indicação e experiência na área em que se deseja trabalhar. Ter cursos é super importante, mas ATENÇÃO: eles levam muito em consideração as notas que você tirou no seu curso, na sua faculdade, pós-graduação, etc. Eles, ao contratar você, esperam que você saiba fazer o seu trabalho e que não será necessário lhe ensinar nada. O positivo é que ninguém cuidará da sua vida, investigará o que você faz ou deixa de fazer, ou forçará amizade. Cada um fica na sua mesmo. A parte que pode conter aspectos negativos é que justamente porque ninguém vai querer saber de você, eles também não oferecerão ajuda, do tipo que a gente vê no Brasil "olha se você precisar de algo, qualquer coisa mesmo, conte comigo"...
No Brasil eu nunca tive de mostrar minhas notas para conseguir um trabalho, inclusive vejo muitos jovens (o que obviamente não são todos) que vem para a Europa fazer Ciências sem Fronteiras e acabam se matriculando em poucas matérias para ter a oportunidade de viajar e aproveitar mais. Se posso dar uma dica àqueles jovens que pretendem trabalhar AQUI na europa é essa: foque e dedique-se muito aos estudos e tenha boas avaliações. Faça contato com os professores, se inscreva em projetos porque aqui isso é muito visto. As melhores vagas ficam para quem tem as melhores notas e contatos. Esse inclusive é um ponto que eu admiro nos suíços, a dedicação aos estudos.
Então quem quer vir para cá, gente, estude, procure ir se adaptando ainda no Brasil. Se eu tivesse lido esse meu post anos atrás eu teria traçado outros planos para vir para cá.
É bom saber que eu tenho muito a aprender com essa cultura, assim como tenho pontos que poderei ensinar e fico feliz por isso. Se eu posso dizer algo para resumir esse tempo que eu estou aqui e o maior aprendizado seria, com certeza, o "não se deixar afetar". Isso que é o legal, abrir a cabeça e ver que existem outras formas de pensar, outras oportunidades, outras perspectivas, outras formas de levar a vida.
No próximo post falarei mais sobre o Trabalho aqui.
Imagem de Luzern, à noite: